O primeiro capítulo do livro em questão objetiva apresentar e discutir o estágio para quem ainda não exerce o magistério, buscando apresentá-lo como uma oportunidade de aprendizagem e reafirmação da profissão que se escolheu. Embora o projeto de estágio possa sofrer interferências e incompreensões, as autoras pretendem mostrar a necessidade da valorização do mesmo, uma vez que este propicia conhecimentos necessários ao processo formativo.
Primeiramente o objetivo do estágio é esclarecido: permitir que os estagiários se apropriem de instrumentos teóricos e metodológicos que o ajudem a compreender a escola, proporcionando reflexão e análise sobre as condições em que a educação escolar acontece. O estágio para alunos que não exercem o magistério propicia a aprendizagem com pessoas que já possuem experiência.
As autoras alertam também para as dificuldades que os estagiários possam se deparar: professores insatisfeitos, a trilogia trabalho – universidade – estágio, conselhos desestimulantes, sensação de não saber o que fazer. Por esse motivo é importante que os objetivos, possibilidades e limites do estágio fiquem bem explícitos, para que se facilite a compreensão do processo.
Os conceitos de campus (espaço decorrente da posição ocupada), habitus (sistema de esquemas que permitem os pensamentos, ações e percepções de uma cultura) e cultura docente são levantados para que possamos compreender a cultura das práticas escolares como marcas sociais e ao mesmo tempo individuais.
O estágio traz os sinais do tempo em que se vive e das tendências pedagógicas utilizadas. A pesquisa é indispensável na prática do estágio, pois conduz a possibilidades de ensinar e aprender a profissão, além de proporcionar aos professores formadores uma forma de formação continuada, sustentando a reflexão.
O estágio deve ser visto como uma preparação para o magistério e um espaço onde toda comunidade escolar trabalha questões que esclareçam a participação do profissional de educação na sociedade e que reafirme a escolha desta profissão. O lado negativo é que os professores das outras disciplinas nem sempre estão preparados e não se interessam por essa atividade.
Para quem não exerce o magistério o estágio permite a junção e teoria e prática, análise de métodos e a troca de experiências. Muitas vezes são encontradas realidades diferentes das vistas em sala de aula, cabendo ao estagiário estar atento a este fato e a sua relação com as práticas educativas. É preciso observar e analisar as histórias, aos sonhos, as linguagens e experiências dos diferentes grupos sociais inseridos no espaço escolar escolhido. A forma de trabalhar, a relação que é estabelecida entre os componentes do grupo e as influências que exercem vida do aluno e no trabalho do professor.
Ao final do texto, são elencados fatores importantes a serem analisados no decorrer do estágio, além da reafirmação da importância deste processo para quem não exerce a profissão. O estágio deve servir para que o estagiário reconheça seu papel no ambiente escolar e na sociedade.
